A deus toda a glória



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PREFÁCIO DO AUTOR


A presente obra é uma revisão e ampliação da minha "Systematic Theology", primeiramente publicada em 1886. Da obra original foram impressas sete edições, cada uma das quais incorporando sucessivas correções e supostos aprimoramentos. Durante os vinde anos que mediaram entre a primeira publicação, reuni muito material novo, que agora ofereço ao leitor. Meu ponto de vista filosófico e crítico nesse período também sofreu alguma mudança. Conquanto ainda eu sustente as doutrinas antigas, interpreto-as diferentemente e exponho-as com maior clareza, porque a mim me parece ter chegado a uma verdade fundamental que lança novas luzes sobre todas elas. Esta verdade tentei estabelecer em meu livro intitulado "Christ in Creation", e delas faço referências ao leitor para mais informações.

Que Cristo é aquele único Revelador de Deus, na natureza, na humanidade, na história, na ciência, na Escritura, a meu juízo, a chave da teologia. Este ponto de vista implica uma concepção monística e idealista do mundo, juntamente com uma idéia evolutiva quanto à sua origem e progresso. Mas é o próprio antídoto do panteísmo que reconhece a evolução como único método do Cristo transcendente e pessoal, que é tudo em todos e que faz o universo teológico e moral a partir do centro da sua circunferência e desde o seu começo até agora.

Nem a evolução, nem a alta crítica tem algo de aterrador para aquele que as considera como parte do processo criador e educador da parte de Cristo. O mesmo Cristo, em quem estão ocultos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento, fornece todas as salvaguardas e limitações. Tão somente porque Cristo tem sido esquecido é que a natureza e a lei tem sido personificada, e a história tem sido considerada como um desenvolvimento sem propósito, que se tem feito referência ao judaísmo como tendo uma origem simplesmente humana, que se tem pensado que Paulo apagou a igreja da sua própria trajetória, que a superstição e ilusão vieram a parecer o único fundamento do sacrifício dos mártires e o triunfo das missões modernas. De modo nenhum creio numa evolução irracional e ateísta como esta. Contrariamente, creio naquele em quem consistem todas as coisas, que está com o seu povo até o fim do mundo e prometeu conduzi-lo em toda a verdade.

A filosofia e a ciência são boas servas de Cristo, mas pobres guias quando rejeitam o Filho de Deus. Quando chego ao meu septuagésimo ano de vida e, no meu aniversário escrevo estas palavras, sou grato por aquela experiência da união com Cristo que me capacitou a ver na ciência e na filosofia o ensino do meu Senhor. Porém esta mesma experiência fez-me mais consciente do ensino de Cristo na Escritura, e fez-me reconhecer em Paulo e João uma verdade mais profunda do que a que foi descoberta por quaisquer escritores, com relação ao pecado e a sua expiação e que satisfaz os mais profundos anseios da minha natureza e que por si mesma é evidente e divina.

Preocupam-me algumas tendências teológicas dos nossos dias, porque creio que elas são falsas tanto na ciência como na religião. Como homens que se sentem pecadores perdidos e que uma vez receberam o perdão do seu Senhor e Salvador crucificado podem daí em diante rebaixar seus atributos, negar a sua divindade e expiação, arrancar da sua fronte a coroa do milagre e soberania, relegá-lo ao lugar de um mestre simplesmente moral que nos influencia apenas como o fez Sócrates com palavras proferidas através dos tempos, passa pela minha compreensão. Eis aqui o meu teste de ortodoxia: Dirigimos nossas orações a Jesus? Invocamos o nome de Cristo como Estêvão e toda a igreja primitiva? O nosso Senhor vivo é onipresente, onisciente, onipotente? Ele é divino só no sentido em que nós também o somos, ou é ele o Filho unigênito, Deus manifesto em carne, em quem habita corporalmente toda a plenitude da divindade? Que pensais vós de Cristo? esta ainda é a pergunta crítica, e a ninguém que, diante da evidência que ele nos forneceu, se não pode responder corretamente, assiste o direito de chamar-se cristão.

Sob a influência de Ritschl e seu relativismo kantiano, muitos dos nossos mestres e pregadores têm deslizado para negação prática da divindade de Cristo e da sua expiação. Parece que estamos à beira do precipício de uma repetida falha unitária, que esfacelará as igrejas e compelirá a cisões, de maneira pior que a de Channing e Ware há um século. Os cristãos americanos se recuperaram daquele desastre somente ao afirmar vigorosamente a autoridade de Cristo e a inspiração das Escrituras. Necessitamos de uma visão do Salvador como a que Paulo teve no caminho de Damasco e João na ilha de Patmos, para nos convencermos de que Jesus está acima do espaço e do tempo, que a sua existência antedata a criação, que ele conduziu a marcha da história dos hebreus, que ele nasceu de uma virgem, sofreu na cruz, levantou-se dentre os mortos, e agora vive para sempre, é Senhor do universo, o único Deus com quem nos relacionamos, nosso Salvador aqui e Juiz no futuro. Sem haver avivamento nesta fé nossas igrejas se tornarão secularizadas, a missão morrerá, e o castiçal será removido do seu lugar como ocorreu às sete igrejas da Ásia e como tem sido com as igrejas da Nova Inglaterra, que se apostataram.

Imprimo esta edição revista e ampliada da minha "Systematic Theology", na esperança de que a sua publicação possa fazer algo para refrear esta veloz maré que avança, e confirmar a fé nos eleitos de Deus. Não tenho dúvida de que os cristãos, em sua grande maioria, ainda mantêm a fé que, de uma vez por todas foi entregue aos santos e que eles, mais cedo ou mais tarde, hão de separar-se daqueles que negam o Senhor que os comprou. Quando o inimigo entra como um dilúvio, o Espírito do Senhor levanta o estandarte contra ele. É preciso que eu faça a minha parte levantando tal estandarte. É preciso que eu conduza outros a reconhecer, como eu, a despeito das opiniões arrogantes da moderna infidelidade, a minha firme crença, reforçada somente pela experiência e reflexão de meio século nas velhas doutrinas da santidade como atributo fundamental de Deus, de uma transgressão e pecado de toda a raça humana, na preparação divina da história hebréia da redenção do homem, na divindade, na preexistência, nascimento virginal, expiação vicária e ressurreição corporal do nosso Senhor Jesus Cristo, e na sua futura vinda para julgar os vivos e os mortos. Eu creio que estas são verdades da ciência assim como da revelação; que ainda se verá que o sobrenatural é mais verdadeiramente natural; e que não o teólogo de mente aberta, mas o cientista de mente estreita será obrigado a esconder a sua cabeça na vinda de Cristo.

O presente volume, ao tratar do Monismo Ético, da Inspiração, dos Atributos de Deus e da Trindade, contém um antídoto para a mais falsa doutrina que agora ameaça a segurança da igreja. Desejo agora chamar especialmente a atenção para o assunto Perfeição e os Atributos por ela evolvidos, porque eu creio que a recente fusão da Santidade com o Amor e a negação prática de que essa Retidão é fundamental na natureza de Deus são responsáveis pelos pontos de vista utilitários da lei e os pontos de vista superficiais sobre o pecado que agora prevalecem em alguns sistemas de teologia. Não pode haver nenhuma apropriada doutrina da retribuição, quando se recusa a sua preeminência. O amor deve ter uma norma ou padrão, e isto só pode ser encontrado na Santidade. A velha convicção do pecado e do senso de culpa que conduz o pecador convicto à cruz são inseparáveis de uma firme crença no atributo de Deus logicamente auto-afirmante, anterior ao auto-comunicante e condicionado a ele. A teologia da nossa época carece de um novo ponto de vista sobre o Justo. Tal ponto de vista esclarecerá que deve haver uma reconciliação com Deus antes que o homem seja salvo, e que a consciência humana seja apaziguada só na condição de que se faça uma propiciação à Justiça divina. Neste volume eu proponho o que considero a verdadeira Doutrina de Deus, porque nela deve basear-se tudo o que se segue nos volumes sobre a Doutrina do Homem e a da Salvação.

A presença universal de Cristo, luz que ilumina a todo homem tanto em terras pagãs como cristãs, para dirigir ou governar todos os movimentos da mente humana, dá-me a confiança de que os recentes ataques à fé cristã fracassarão no seu propósito. Torna-se evidente, por fim, que não só se atacam as obras primorosas, mas até mesmo a cidadela. Pede-se que abandonemos toda a crença na revelação especial. Dizem que Jesus Cristo veio em carne exatamente como qualquer um de nós, e ele era antes de Abraão só no mesmo sentido que nós somos. A experiência cristã sabe como caraterizar tal doutrina tão logo se estabelece de um modo claro. E a nova teologia entrará em voga possibilitando que até mesmo crentes comuns reconheçam a heresia destruidora de almas mesmo com a máscara de ortodoxia professa.

Não faço apologia alguma do elemento homilético do meu livro. Para ser verdadeira ou útil, a teologia deve ser uma paixão. Pectus est quod teologum facit, e nenhum zombador que apregoa a "Teologia Peitoral" me impedirá de sustentar que os olhos do coração devem ser iluminados para perceber a verdade de Deus e que, para conhecer a verdade, é necessário praticá-la. A teologia é uma ciência cujo cultivo pode ser bem sucedido somente em conexão com a sua aplicação prática.

Por isso, em cada discussão dos seus princípios devo assinalar suas relações com a experiência cristã, e a sua força para despertar emoções cristãs e levar a decisões cristãs. Teologia abstrata, na verdade, não é científica. Só é científica a teologia que traz o estudioso aos pés de Cristo. Eu anseio pelo dia em que, em nome de Jesus, todo joelho se dobre. Creio que, se cada um servir a Cristo, o Pai o honrará, e ele honrará o Pai. Eu mesmo não me orgulharia de crer tão pouco, porém de crer muito. Fé é a medida com que Deus avalia o homem. Por que haveria de duvidar que Deus falou aos pais pelos profetas? Por que haveria de pensar que é incrível Deus ressuscitar os mortos? O que é impossível aos homens é possível a Deus. Quando o Filho do homem vier, porventura achará fé na terra? Queira Deus que encontre fé em nós, que professamos ser seus seguidores. Na convicção de que as trevas presentes são apenas temporárias e que serão banidas por um glorioso raiar do sol, ofereço ao público esta nova edição da minha "Teologia" rogando a Deus para que qualquer que seja a boa semente frutifique e qualquer que seja a planta que o Pai não plantou seja arrancada.


ROCHESTER THEOLOGICAL SEMINARY,
ROCHESTER, N. Y., 3 de agosto de 1906.

TEOLOGIA SISTEMÁTICA

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VOLUME I.


A DOUTRINA DE DEUS.

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PARTE I.



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