A curiosidade infantil e a descoberta da sexualidade



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Encontro11.06.2018
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A curiosidade infantil e a descoberta da sexualidade

Carla A. R. de Pinho Lima1



Há um número significativo de pais que solicitam orientação sobre como agir com seus filhos quando se percebem diante das primeiras manifestações sexuais infantis ou quando são pegos de surpresa com questionamentos sobre sexualidade. Muitos ficam angustiados, confusos e encabulados diante daquelas “célebres” perguntas sobre sexo.

Podemos pensar que este desconforto dos pais ocorre, na maioria das vezes, porque eles próprios possuem inúmeras dificuldades para se expressar quando o assunto é sexualidade, o que pode ser compreendido pelo fato de terem apreendido valores e regras morais e sociais que, muitas vezes, refletem tabus e preconceitos frente ao sexo. .


Além disso, muitos, também não tiveram oportunidade de esclarecimento e orientação sexual adequada na fase de desenvolvimento, portanto, não sabem o que responder e qual a melhor informação a ser dada. Porém, nunca é tarde para ir em busca de informação e conhecimento.

O importante é ser honesto, não mentir para a criança ou contar aquelas famosas histórias fantasiosas, como a da “cegonha”, da “sementinha”, etc. Respeitando a idade e a capacidade de compreensão da criança, o ideal é que – numa linguagem simples, objetiva e clara – os pais falem exatamente “o que” acontece e “como” acontece, procurando responder somente aquilo que a criança perguntou e não antecipando informações desnecessárias no momento.

De maneira geral, uma das primeiras perguntas que surge no contexto da curiosidade sexual, por volta dos 4 ou 5 anos, diz respeito à reprodução humana. "Como eu nasci?", "Como nascem os bebês?", são as perguntas mais comumente feitas. Quando a criança chega com estes questionamentos, de certa forma, já tem uma parcela da resposta.
Desta feita, é interessante que os pais iniciem a explicação a partir do conhecimento que a criança já traz, procurando completar ou corrigir as informações. Não se deve protelar o assunto ou reprimir o interesse, com comentários do tipo: “Isto não é assunto de criança!”. O mais saudável é esclarecer e atender à curiosidade, evitando com isso, a aquisição de informações muitas vezes errôneas e distorcidas, vindas de fontes nem sempre confiáveis!.

Com relação às manifestações sexuais, grande parte dos pais fica horrorizada ao flagrarem seus filhos tocando os órgãos genitais ou manipulando suas próprias fezes e acabam recorrendo a punições e repressões severas. Tais atitudes são prejudiciais e podem acarretar situações conflitivas no âmbito sexual.

O ideal é que os pais compreendam que tais manifestações sexuais são esperadas em algumas etapas do desenvolvimento e fazem parte do interesse da criança em descobrir o mundo e seu próprio corpo.

Vale retomar, então, que a punição e a repressão severas são prejudiciais e devem ser substituídas por conversas francas e por atitudes que busquem desviar a atenção da criança para outros estímulos e atividades, de forma a não comprometer o desenvolvimento e a criatividade infantil. Por exemplo: o manipular das fezes pode ser substituído por brincar com massinhas, argila ou tinta.

A repressão e / ou punição podem fazer com que ocorra um “afastamento” da criança de seus órgãos genitais, por associar as idéias de “sujo, nojento, feio e proibido” aos mesmos. Tais crenças podem perdurar ao longo da vida, influenciar e até comprometer a qualidade de vida sexual futura.

Enfim, é prejudicial para o desenvolvimento psicológico e sexual, a repressão da curiosidade sexual infantil e a transmissão de informações fantasiosas ou mentirosas sobre a sexualidade.





1 Psicóloga Clínica e Terapeuta Sexual formada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.



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