A construçÃo de instituiçÕes de ensino superior inclusivas: a relaçÃo entre gestão e inclusãO


HISTÓRIA SOBRE A EDUCAÇÃO DE PESSOAS COM NECESSIDADES ESPECIAIS



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HISTÓRIA SOBRE A EDUCAÇÃO DE PESSOAS COM NECESSIDADES ESPECIAIS

Para compreender os preconceitos e estigmas que ainda hoje se fazem presentes em nossa sociedade, apesar dos amparos legais, é preciso analisar como a imagem das pessoas com deficiência foi sendo construída e modificada ao longo da história.

Segundo Bianchetti(1998), nas sociedades, primitivas, que tinham como característica básica o nomadismo, era necessário que cada membro cuidasse de si e colaborasse com o grupo. Dessa forma, os que não se enquadravam no padrão de normalidade histórico eram considerados um empecilho e consequentemente eram abandonados pelo grupo. Na sociedade grega, o modelo valorizado pelos guerreiros espartanos era a perfeição dos corpos, a beleza e a força eram valorizadas pelos atenienses. Neste contexto, as crianças que ao nascer apresentassem qualquer imperfeição eram eliminadas.

Percebe-se nos dois tipos de sociedade, primitiva e grega, o extermínio dos deficientes, seja por abandono ou por efetiva eliminação. No período feudal, este quadro muda parcialmente, tendo os deficientes o direito à vida, embora não houvesse dignidade para essas pessoas.

No período feudal, Bianchetti(1998) afirma que havia uma dicotomia entre corpo e alma em que os indivíduos deficientes têm o direito de viver, mas a diferença dos seus corpos é associada ao pecado. Devido a esta relação entre deficiência e pecado houve segregação, estigmatização e milhares de pessoas foram queimadas nas fogueiras da inquisição, devido à crença de que seus corpos tinham sido tomados pelo demônio. A igreja, no período feudal, também explicava a existência de deficientes alegando que estes eram um instrumento de Deus para alertar sobre comportamentos adequados e dar oportunidade aos fiéis de fazerem caridade. Miranda (2003) reafirma essas concepções quando destaca que o tratamento dado ao indivíduo deficiente oscilava entre caridade e castigo na era cristã.

Bianchetti(1998) afirma que na transição do feudalismo para o capitalismo se inicia uma valorização do experimentalismo e do conhecimento científico. Neste contexto, a diferença, antes associada ao pecado, agora está relacionada à disfuncionalidade e a igualdade é anunciada como um dos pilares do liberalismo econômico proposto pelos burgueses.

Embora ideologicamente a igualdade fosse pregada, na prática ela não acontecia. Os deficientes estavam inseridos em uma sociedade capitalista em que a valorização do indivíduo estava relacionada à sua produtividade.

Segundo Miranda (2003) o fim do século XIX e o início do século XX foram marcados por escolas e classes especiais que tinham como objetivo disponibilizar uma educação à parte para os deficientes. Já no final do século XX, aproximadamente na década de 70, ocorreu um movimento de integração social das pessoas com deficiência em ambientes escolares semelhantes aos ofertados as pessoas consideradas normais.

Bianchetti (1998) constata que as mudanças começaram a ocorrer quando a partir da ascensão da burguesia, foi possível almejar a mobilidade social e a educação passou a ser valorizada como um meio de passagem de uma classe à outra. Desta forma, a escola era um lugar frequentado por diferentes classes sociais e percebeu-se que tratar diferentes de forma similar gerava exclusão. A partir dessa conclusão, a pedagogia da existência começou a emergir e as características dos educandos começou a ser considerada.

Bianchetti (1998) destaca Roussou, com sua teoria de que a natureza da criança deve ser respeitada, Pestalozzi que dedicou-se aos cuidados de crianças excluídas do sistema formal de ensino, Froebel que dedicou-se a infância e Fénelon que preocupou-se com a educação de moças. No século XX, destacou Piaget, Vygotsky e Bruner, que interessaram-se em estudar o processo de aprendizagem e meios que facilitassem esse processo, Freinet que dedicou-se às crianças do meio rural e Paulo Freire que preocupou-se com a alfabetização de adultos.

Percebe-se que esses teóricos preocuparam-se com diversos tipos de especificidades, mas ainda não havia uma preocupação efetiva com os que não se encaixavam com o padrão de normalidade da época.

Segundo Bianchetti (1998) teóricos como Jean Itard(1774-1838), E.Seguin (1812-1880) e Maria Montessori (1870-1952), dedicaram-se a buscar meios que pudessem ultrapassar os problemas enfrentados pelas condições físicas e psicológicas dos deficientes.

Para o autor, o ponto de partida da história da Educação Especial foi o caso de Vitor, no século XIX, em que Itard dedicou-se a integrá-lo na sociedade francesa e educá-lo. Seus estudos estabeleceram bases para revolucionar a Educação Especial, destacando a necessidade da ação preventiva, a educabilidade dos indivíduos considerando suas diferenças e a integração destes indivíduos. Mais tarde, E.Seguin aprofundou pesquisas e experimentos a fim de propor um método para educar os indivíduos considerados deficientes. Segundo Miranda (2003) Seguin (1812-1880) influenciado por Itard criou um método de treinamento denominado método fisiológico, que estimulava o cérebro por meio de atividades físicas e sensoriais.

As lutas pela integração e as iniciativas de pesquisadores e educadores no sentido de garantir o acesso educacional aos que possuem necessidades especiais geraram discussões políticas e acadêmicas que resultaram em avanços consideráveis na legislação e na aplicabilidade de resoluções específicas que visam garantir ao indivíduo com necessidades especiais, o acesso e permanência em redes regulares de ensino em todos os níveis. Alguns marcos mundiais históricos foram fundamentais para essas conquistas educacionais.

Mendes (2006) destaca que a realidade dos países pobres e em desenvolvimento na década de 90 era de que mais de cem milhões de crianças e jovens não tinham acesso à escolarização básica e que apenas 2% dos deficientes recebia alguma modalidade de educação, esses dados geraram comoção para atender as necessidades educacionais dos alunos que tinham o direito de educação negado. No início da década de 90 houve então a Conferência Mundial sobre Educação para todos: satisfação das necessidades básicas de aprendizagem, na Tailândia, onde houve aprovação da Declaração Mundial sobre Educação para Todos. Porém, o grande marco para educação inclusiva foi em 1994 com a Conferência Mundial sobre Necessidades Educacionais Especiais: acesso e qualidade, em que foi elaborada a Declaração de Salamanca2.

A Declaração de Salamanca foi fundamental para ampliar o sentido de inclusão escolar. Declarando que (p.1):

[...]escolas regulares que possuam tal orientação inclusiva constituem os meios mais eficazes de combater atitudes discriminatórias criando-se comunidades acolhedoras, construindo uma sociedade inclusiva e alcançando educação para todos; além disso, tais escolas proveem uma educação efetiva à maioria das crianças e aprimoram a eficiência e, em última instância, o custo da eficácia de todo o sistema educacional. (DECLARAÇÃO DE SALAMANCA, 1994)

E destacando como princípio fundamental que (p.5):

[...]todas as crianças devem aprender juntas, sempre que possível, independentemente de quaisquer dificuldades ou diferenças que elas possam ter. Escolas inclusivas devem reconhecer e responder às necessidades diversas de seus alunos, acomodando ambos os estilos e ritmos de aprendizagem e assegurando uma educação de qualidade à todos através de um currículo apropriado, arranjos organizacionais,estratégias de ensino, uso de recurso e parceria com as comunidades. Na verdade, deveria existir uma continuidade de serviços e apoio proporcional ao contínuo de necessidades especiais encontradas dentro da escola. (DECLARAÇÃO DE SALAMANCA,1994)

Neste documento, pode-se observar a preocupação em incluir crianças com necessidades especiais em escolas regulares, visando o reconhecimento da diversidade, promovendo o combate a ações discriminatória e promovendo adaptações necessárias para que haja educação de qualidade para todos.

O século XXI está colhendo as sementes plantadas pelas discussões políticas e acadêmicas do século XX com a temática da educação inclusiva. Para Sassaki (2005) o mundo está caminhando para uma sociedade cada vez mais inclusiva em que muitos países já adotaram a prática inclusiva em suas escolas. Ainda para o autor quando os princípios da inclusão são implementados de maneira correta pode-se perceber resultados como a adequação dos sistemas de ensino às necessidades dos alunos, gerando assim acessibilidade arquitetônica, comunicacional, metodológica, instrumental e atitudinal.

Todas essas transformações educacionais promovidas pela implementação da abordagem inclusiva nas escolas refletem na sociedade e geram transformações sociais. Promovendo assim (p. 23):

Práticas baseadas na valorização da diversidade humana, no respeito pelas diferenças individuais, no desejo de acolher todas as pessoas (princípio da rejeição zero), na convivência harmoniosa (princípio da cooperação e colaboração), na participação ativa e central das famílias e da comunidade local em todas as etapas do processo de aprendizagem [...] (Sassaki, 2015, p.23).





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