A construçÃo da masculinidade



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A perversão do outro lado do divã

in Destinos da Sexualidade, Portugual, A. M; Porto Furtado, A; Rodrigues, G; Bahia, M, A;

Gontijo, T; (org.) São Paulo, Casa do Psicólogo, p. 243-257, 2004.

Introdução

Partindo da premissa de Freud segundo a qual a perversão é ingrediente constitutivo do psiquismo humano, a proposta deste texto é de avaliar em quais circunstâncias nossas moções pulsionais perversas podem atravessar a condução do tratamento. Esta questão torna-se pertinente quando lembramos que qualquer modificação psíquica só ocorre por sugestão, apoiada na transferência positiva (amor).1 Ora, por mais bem analisado que o analista tenha sido, ele não está livre dos efeitos de seu inconsciente, inclusive dos perversos. Assim cabe perguntar em que medida corremos o risco de responder perversamente às representações, conscientes e inconscientes, mobilizadas pela transferência? Como o analista, apoiado no poder que a transferência lhe confere, pode atuar de forma perversa, sobretudo no que diz respeito à agressividade? Lacan2 sublinha que a agressividade deve ser compreendida a partir da experiência subjetiva pois, sendo um fenômeno de sentido, implica necessariamente um sujeito. Além disto, ela está sempre correlacionada com o modo narcísico de identificação: o outro, o diferente, o que nos remete à castração, constitui um alvo por excelência de nossa agressividade. Resumindo: somos agressivos por sermos castrados. Nesta perspectiva, a relação transferencial pode ser utilizada para manter o lugar de não-castrado que o analista acredita, imaginariamente, ocupar.

A perversão do outro lado do divã tem múltiplas faces: vai desde a imposição de uma teoria como defesa contra a escuta, passando por atuações concretas com pacientes, até nossa escolha profissional. Afinal, se somos capazes de estabelecer relações as mais pertinentes entre caminhos pulsionais e escolhas profissionais, deveríamos nos perguntar sobre nossa própria “escolha”: o que nos torna analistas?

Uma primeira dificuldade

Um primeiro ponto que chama a atenção quando falamos de perversão é que, diferentemente da neurose, o constructo teórico-clínico em torno desta manifestação da sexualidade varia consideravelmente de um modelo teórico para outro.3 Cada escola de psicanálise tem posições claras e definidas sobre o tema, fazendo com que o estatuto da perversão não obtenha consenso entre os psicanalistas. Por extensão, o manejo clínico dos casos ditos "perversos" também varia, o que coloca uma questão de fundo: em que medida os diferentes modelos teóricos facilitam, ou dificultam, a escuta do sujeito perverso? Pode a perversão estar na teoria quando esta é utilizada como defesa para justificar nossa dificuldade, ou até mesmo incapacidade, de escuta? Existe o risco de um sujeito ser considerado perverso quando é a teoria que não contempla esta especificidade pulsional?

Escutar o perverso é muito diferente de escutar o neurótico devido a maneira como ele nos afeta transferencialmente. Isto requer uma disposição outra do que a necessária no caso do neurótico pois há de se suportar o ódio que aparece na transferência como forma de agressividade, de desprezo e desdém, pelo trabalho e pela capacidade do profissional.4 A escuta do perverso exige um investimento particular do analista para acompanhá-lo passo a passo de volta pela tortuosa e repetitiva trilha da sexualidade pré-gential até os pontos de fixação da libido.5 Juntam-se a isto suas atuações, que revelam o caráter infantil de sua sexualidade, e que podem por em jogo a possibilidade de mudança que o trabalho analítico pode propiciar. Como reagimos a isto?

Outro ponto a ser mencionado, embora não vá discuti-lo neste texto, é o fato de como a sociedade atual está cada vez mais assujeitada a uma ordem perversa. Assim, como podemos nós analistas que, evidentemente, estamos inseridos no social, escapar a esta organização perversa? Como isto afeta nosso trabalho clínico?6

Como vemos, várias são as entradas para discutirmos o tema proposto. No presente trabalho, centrarei minhas reflexões nas relações entre algumas formas de apresentação do sexual e a perversão do outro lado do divã.




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