A ciência como vocação



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A terceira tensão entre teoria e prática surge na teoria de tipos ideais de Weber. Weber introduziu os tipos ideais como um dispositivo para obter uma compreensão conceitual da multiplicidade empírica. A realidade é ontologicamente infinita e não pode ser compreendida em sua totalidade. O cientista que quer estudar a realidade deve delimitar cuidadosamente seu objeto e pode fazê-lo com base em seus próprios interesses de conhecimento [Erkenntnisinteresse]. Assim como o apreciador de livros que entra em uma biblioteca ou livraria, o cientista, ou a cientista, deve selecionar, com base em avaliações pessoais, aquele fragmento limitado da realidade de interesse que se tornará seu respectivo objeto de estudo. Os tipos ideais são reconstruções conceituais da realidade. Eles não refletem a realidade, mas oferecem um modelo para ela. São construções analíticas que o sociólogo usa para ordenar e obter uma compreensão conceitual sobre a forma empírica do mundo social. Eles não devem, em hipótese alguma, ser identificados com a própria realidade. Sua função é puramente heurística, não constitutiva; e mover-se de um uso regulativo para um uso constitutivo dos tipos ideais só pode levar à sua reificação conceitual, que deve ser evitada a todo custo.

Um olhar mais atento aos tipos ideais de Weber revela, no entanto, uma nova tensão entre sua teoria e sua prática. Mais uma vez, ele foi desviado por seus pressupostos nominalistas. Cada página de Economia e Sociedade presta um não-intencional testemunho do fato de que seus tipos ideais não são apenas construções arbitrárias do sociólogo. Falando corretamente, eles são "reconstruções" obtidos por meio de um processo de abstração crítica a partir de uma imensa quantidade de material histórico e comparativo. Além disso, eles não são apenas o resultado das avaliações contingentes de Weber: como tal, eles já estão impregnadas pelas valorizações de seus pares. Os tipos-ideais são, para usar a linguagem da fenomenologia de Alfred Schütz, “tipificações”, isto é, dispositivos categóricos que os atores (os sociólogos incluídos, é claro) usam em sua vida cotidiana para se orientarem no mundo social.67 Ou, para dizer o mesmo numa linguagem mais filosófica, os tipos ideais não são apenas as “construções analíticas” que o idealista transcendental impõe ao caos da multiplicidade empírica, mas são “construções sintéticas” que têm uma existência objetiva, tanto para os sociólogos profissionais e leigos, que continuamente, cognitiva, normativamente e mesmo existencialmente (na medida em que se identificam com eles), os reconstituem, constituindo assim o mundo social como um mundo significativo.



Finalmente, permitam-me observar que o principal objetivo dessa crítica ao nominalismo ético e epistemológico de Weber foi chamar a atenção dos sociólogo para as possíveis implicações de pressuposições filosóficas e ideológicas ocultas. Começando com a questão do decisionismo, pode-se, é claro, pouco se importar e afirmar que é melhor deixar essa questão fundamental para os filósofos. Contudo, na medida em que pode ter implicações políticas de longo alcance, essa estratégia de desvio só funciona se disjunção radical entre o papel do sociólogo e o do cidadão bem informado. Mas essa disjunção não se sustenta. Quer ele queira quer não, suas posições sociológicas implicitamente são posições políticas. Isso não significa, entretanto, que as categorias epistêmicas possam ser reduzidas a ideológicas e que a sociologia tenha que se tornar abertamente política, mas é um chamado à vigilância e ao mesmo tempo um convite para refletir sobre questões éticas e políticas e reunir as discussões que ocorrem na esfera pública. Indo agora para a questão do nominalismo epistemológico, gostaria de enfatizar que minha crítica reconstrutiva do nominalismo epistemológico de Weber não visa corrigir sua prática, mas sim desconstruir sua falsa interpretação de uma prática correta. De fato, assumindo que a sociologia é uma disciplina crítica, que persegue as grandes questões e as tarefas da teoria clássica por outros meios, eu queria sugerir a possibilidade e a necessidade de desenvolver uma teoria crítica realista das estruturas sociais que é fenomenológica e hermenêutica, suficientemente sensível para evitar o erro de reificação. Na minha opinião, é disso que precisamos se quisermos reencantar o mundo desencantado.


1 O texto foi generosamente traduzido por Fernando Santana. Agradeço pela gentileza e espero a sua tese sobre o neo-kantianismo na sociologia clássica.

2 E. Husserl, Die Krisis der europäischen Wissenschaften und die transzendentale Phänomenologie, in Husserliana, Vol. VI (The Hague: Martinus Nijhoff, 1962), p. 13.


3 Para evitar conotações utilitaristas, Bourdieu fez avanços frente ao conceito de illusio (de in e ludere) de Huizinga como alternativa ao conceito de interesse para tematizar o investimento libidinal que a entrada para qualquer campo social pressupõe. Cf. P. Bourdieu, Raisons Pratiques. Sur la théorie de l’action (Paris: Seuil, 1994), pp. 151–3 and Méditations pascaliennes (Paris: Seuil, 1997), pp. 22–4.

4 Para essa distinção entre “viver da” e “viver para” cf. M. Weber, Politik als Beruf, in Max Weber Gesamtausgabe, Vol. 17 (Tübingen: J. P. Mohr, 1992), pp. 169 ff.

5 H. Rickert, ‘Max Weber’s View of Science’, in P. Lassman, I. Velody and H. Martins (eds) Max Weber’s Science as a Vocation’ (London: Unwin Hyman, 1989), p. 80.

6 M. Weber, Die protestantische Ethik und der ‘Geist’ des Kapitalismus (Bodenheim: Neue Wissenschaftliche Bibliotheek, 1993), p. 153.

7 Cf. S. Wolin, ‘Max Weber: Legitimation, Method, and the Politics of Theory’, Political Theory 9(3): 401–24, especially pp. 412 ff.

8 F. Nietzsche, Die fröhliche Wissenschaft, §125, in Werke (Schlechta), Vol. II (Munich: Carl Hanser Verlag, 1969), p. 127.

9 Weber, Wissenschaft als Beruf, in Max Weber Gesamtausgabe, vol. 17, p. 109.

10 Esse é o principal tema de Eclipse da Razão de Horkheimer, (New York: Seabury Press, 1974), especialmente pp. 3–57. Explicitamente e corretamente, ele situa Weber na tradição subjetivista: ‘Max Weber aderiu de modo tão definitivo à tendência subjetivista que não concebeu nenhuma racionalidade - nem mesmo uma" substancial ", pela qual o homem possa discriminar um fim do outro. Se nossos impulsos, intenções e, finalmente, nossas decisões finais devem ser a priori irracionais, a razão substancial torna-se uma agência meramente de correlação e é, portanto, essencialmente “funcional” (p. 6, n.).

11 M. Weber, Gesammelte Aufsätze zur Wissenschaftslehre (Tübingen: J. B. Mohr, 1985), p. 151.

12 P. Ricoeur, ‘Préface’, in P. Bourretz, Les promesses du monde. Philosophie de Max Weber (Paris: Gallimard, 1996), p. 12.

13 Como adepto de uma ética da responsabilidade, Weber inclui, de fato, a possibilidade de uma discussão das possíveis consequências de um ato na medida em que ele entra em conflito com os valores finais que o ator persegue. O ponto que quero enfatizar, no entanto, é que os valores finais, como tais, estão além de qualquer discussão racional. A partir dessa perspectiva, a admirável tentativa de Schluchter de levar a ética da responsabilidade de Weber na direção da ética do discurso de Habermas aparece como uma interpretação exagerada que intencionalmente subestima as implicações nietzschianas do decisionismo de Weber. Cf.W. Schluchter, Religion und Lebensführung, vol. 1, Studien zu Max Webers Kultur und Werttheorie (Frankfurt am Main: Suhrkamp, 1988), pp. 200–73, especialmente pp. 225 ff., e pp. 314ff.

14 F. Nietzsche, Also sprach Zarathustra, in Werke, Vol. II, p. 523.

15 T. Kuhn, The Structure of Scientific Revolutions (Chicago: University of Chicago Press, 1970), Ch. 4.

16 M. Weber, ‘Vorbemerkung’, in Gesammelte Aufsätze zur Religionssoziologie, Vol. I (Tübingen: J. B. Mohr, 1988), p. 14.

17 E. Husserl, Ideen zu einer reinen Phänomenologie und phänomenologischer Philosophie. Zweites Buch: Phänomenologische Untersuchungen zur Konstitution, in Husserliana IV, (The Hague: Martinus Nijhoff, 1952), pp. 1–27.

18 N. Luhmann, ‘Handlungstheorie und Systemtheorie’, in Soziologische Aufklärung 3 (Opladen: Westdeutscher Verlag, 1991), p. 50.

19 Ver a incrível “novela filosófica” de Norman Hanson: Patterns of Discovery: An Inquiry into the Conceptual Foundations of Science (Cambridge: Cambridge University Press, 1958), pp. 5 ff.

20 Para um inventário completo acerca de problemas metateóricos, ver: J. C. Alexander, Theoretical Logic in Sociology, Vol. 1, Positivism, Presuppositions, and Current Controversies (Berkeley: University of California Press, 1982).

21 Ver: W. Hennis, Politik und praktische Philosophie. Schriften zur politischen Theorie (Stuttgart: Klett-Cotta, 1977), pp. 1–130.

22 Ver : D. Levine, Visions of the Sociological Tradition (Chicago: University of Chicago Press, 1995), pp. 101–2.

23 Cf. G. Simmel, Lebensanschauung. Vier metaphysische Kapitel (Munich: Düncker & Humblot, 1918).


24 E. Husserl, Cartesianische Meditationen, in Husserliana, Vol. I (The Hague: Martinus Nijhoff, 1963), §21.

25 Para 'simulações' na alça do jarro, cf. G. Simmel, "Der Henkel". Ein ästhetischer Versuch ’, em Aufsätze und Abhandlungen 1901–1908, Gesamtausgabe, vol. 7, (Frankfurt am Main: Suhrkamp, 1995), pp. 345-50. Numa comparação crítica com Bloch, que escreveu um ensaio sobre um jarro, Adorno acusa Simmel de filosofar superficialmente "sobre" o objeto em vez de filosofar dialeticamente "dentro" do objeto, como Bloch supostamente fez. Cf. T. W. Adorno, "Henkel, Krug und frühe Erfahrung", em Noten zur Literatur, Gesammelte Schriften, vol. 11 (Frankfurt am Main: Suhrkamp, 1974), pp. 556-66. Permanece, porém, a questão de saber se o próprio Adorno não era culpado de projetar sua metafísica reificadora acerca da vida danificada sobre e para os objetos concretos que analisou.

26 G. Simmel, Soziologie. Untersuchungen über die Formen der Vergesellschaftung, in Gesamtausgabe, Vol. II (Frankfurt am Main: Suhrkamp, 1992), p. 61.

27 G. Simmel, Grundfragen der Soziologie (Berlin: de Gruyter, 1970), p. 16.

28 Para uma reconstrução da sociologia formal de Simmel, permita-me fazer referência ao meu livro sobre Simmel. Cf. F. Vandenberghe, As sociologias de Georg Simmel (Petrópolis: Vozes, 2018)

29 Schopenhauer aplicou a metáfora do táxi à lei da causalidade em sua polêmica com Thomas Browne. Cf. A. Schopenhauer, Über die vierfache Wurzel des Satz von von zureichende Grunde, em Sämtliche Werke, vol. III (Frankfurt am Main: Suhrkamp, 1986), p. 53. Weber recolheu sua Política como vocação e aplicou-a tanto à ética do Evangelho quanto à interpretação marxista da história. Cf. Weber, Politik als Beruf, pp. 234 e 246. Foi redescoberta por Beck, que a usou contra os pós-modernistas ("A modernidade não é um táxi ..."). Cf. U. Beck, Politik in der Risikogesellschaft (Frankfurt am Main: Suhrkamp, 1991), p. 193

30 Simmel, Grundfragen der Soziologie, p. 30.

31 S. Wolin, Hobbes (Los Angeles: University of California Press, 1970), p. 8.

32 S. Wolin, ‘Political Theory as a Vocation’, American Political Science Review 63 (1969): 1079.

33 P. Lassman and I. Velody, ‘Max Weber on Science, Disenchantment and the Search for Meaning’, in P. Lassman, I. Velody and H. Martins (eds) Max Weber’s ‘Science as a Vocation’ (London: Unwin Hyman, 1989), p. 172.

34 M. Weber, ‘Zwischenbetrachtung: Theorie der Stufen und Richtungen religiöser Weltablehnung’, in Gesammelte Aufsätze zur Religionssoziologie, Vol. I, pp. 536–73.

35 Weber, Wissenschaft als Beruf, p. 99.

36 Esta famosa declaração "off-the-record" foi significativamente colocada por um filósofo francês como uma epígrafe para uma análise comparativa da filosofia política de Hegel e Weber. Cf. C. Colliot-Thélène, Le désenchantement de l'Etat. De Hegel à Max Weber (Paris: Editions de Minuit, 1992)

37 Wolin, ‘Max Weber: Legitimation, Method, and the Politics of Theory’, p. 403.

38 Weber, Wissenschaft als Beruf, pp. 109–10.

39 Sobre a auto-identificação de Weber com o profeta Jeremias, ver A. Szakolczai, Max Weber and Michel Foucault. Parallel Life-Works (London: Routledge, 1997), pp. 13–19.

40 Cf. S. Seidman, ‘Modernity, Meaning and Cultural Pessimism in Max Weber’, in P. Hamilton (ed.) Max Weber: Critical Assessments 1, Vol. 4 (London: Routledge, 1989), pp. 153–65.

41 Nietzsche, Also sprach Zarathustra, p. 284.


42 Cf. K. O. Apel, ‘Das a priori der Kommunikationsgesellschaft und die Grundlagen der Ethik. Zum Problem einer rationalen Begründung der Ethik im Zeitalter der Wissenschaft’, in Transformation der Philosophie, Vol. 2 (Frankfurt am Main: Suhrkamp, 1973), pp. 358–435 and J. Habermas, ‘Gegen einen positivistischen halbierten Rationalismus’, in T. W. Adorno et al., Der Positivismusstreit in der deutschen Soziologie (Frankfurt am Main: Luchterhand, 1972), pp. 235–66. Para uma discussão do debate entre Habermas, Apel, Popper e Albert, cf. A secunda parte do livro de S. Mesure e A. Renaut, La guerre des dieux. Essai sur la querelle des valeurs (Paris: Grasset, 1996).

43 A discussão que se segue baseia-se nos seguintes artigos de J. Habermas, "Dogmatismus, Vernunft und Entscheidung - Zu Theorie und Práxis in der verwissenschaftliche Zivilisation", in Theorie und Praxis. Sozialphilosophische Studien (Frankfurt am Main: Suhrkamp, 1963), páginas 307-35; e «Verwissenschaftlichte Politik und öffentliche Meining», in Technik und Wissenschaft als «Ideologie» (Frankfurt am Main: Suhrkamp, 1974), pp. 120-45.

44 O princípio básico do "cognitivismo ético" é precisamente o oposto: as questões práticas são passíveis de verdade. Cf. J. Habermas, Legitimationsprobleme im Spätkapitalismus (Frankfurt am Main: Suhrkamp, 1973), p. 140 ff. («Die Wahrheitsfähigkeit praktischer Fragen»).

45 "Definimos o niilismo como a incapacidade de tomar uma posição para a civilização contra o canibalismo": cf. L. Strauss, The Rebirth of Classical Political Rationalism (Chicago: University of Chicago Press, 1989), p. 9.

46 Cf. J. Schickel, Gespräche mit Carl Schmitt (Berlin: Merve Verlag, 1993), p. 71.

47 Sobre a política nuclear na era científica, cf. U. Beck, Risikogesellschaft. Auf dem Weg in eine andere Moderne (Frankfurt am Main: Suhrkamp, 1986), Ch. 2.

48 Para uma distinção entre la politique e le politique, ver C. Lefort, Essais sur le politique (XIXe.–XXe. siècles) (Paris: Seuil, 1986), pp. 7–14 and passim.

49 I. Berlin, ‘Two Concepts of Liberty’, in Four Essays on Liberties (Oxford: Oxford University Press, 1969), pp. 118–34.

50 S. Landshut, ‘Max Webers Geistesgeschichtliche Bedeutung’, in Kritik der Soziologie und andere Schriften zur Politik (Neuwied: Luchterhand, 1969), p. 120.

51 Weber, Gesammelte Aufsätze zur Wissenschaftslehre, pp. 503–4.

52 Ver sua clássica versão “realista” da democracia em J. Schumpeter, Capitalism, Socialism and Democracy (London: Allen & Unwin, 1976), Chs. 21–3.

53 Cf. M. Weber, Wirtschaft und Gesellschaft. Grundriss der verstehende Soziologie, (Tübingen: J. B. Mohr, 1972), pp. 661 ff.

54 Que a política implica poder e que o verdadeiro político tem que levar em conta as consequências antiéticas da política do poder, em outras palavras, ele tem que agir de acordo com as máximas da "ética da responsabilidade": esse é realmente o centro de sua famosa palestra sobre Política como Vocação.

55 Carta ao Professor Ehrenburg, citada em D. Beetham, Max Weber and the Theory of Modern Politics (Cambridge: Polity Press, 1985), p. 102.

56 Há apenas a escolha entre a democracia com liderança (Führerdemokratie) com uma “máquina” e uma democracia sem liderança, ou seja, a dominação de políticos profissionais sem um chamado, sem as qualidades carismáticas internas que fazem um líder: cf. Weber, Politik als Beruf, p. 224

57 Essa continuidade foi enfaticamente apontada pelo “arqui-realista” Max Scheler. Cf. M. Scheler, ‘Max Webers Ausschaltung der Philosophie (Zur Psychologie und Soziologie der nominalistischen Denkart)’, in Die Wissensformen und die Gesellschaft. Gesammelte Schriften, Vol. 8 (Bern: Franck Verlag, 1980), pp. 430–8.

58 B. Turner, For Weber. Essays on the Sociology of Fate (London: Sage, 1996), p. 9. See also M. Fullbrook, ‘Max Weber’s Interpretative Sociology: a Comparison of Conception and Practice’, British Journal of Sociology 29(1) (1978): 71–82.

59 E. Cassirer, Substanzbegriff und Funktionsbegriff (Darmstadt: Wissenschaftliche Buchgesellschaft), p. 279.

60 I. Kant, Kritik der reinen Vernunft, in Werke, Vol. 4 (Darmstadt: Wissenchaftliche Buchgesellschaft, 1956), A 643.

61 Essa é a posição que tem sido sistematicamente trabalhada na Grã-Bretanha por Roy Bhaskar e os seguidores fiéis do que é conhecido como o "Movimento Realista". Cf. R. Bhaskar, A Realist Theory of Science (Hemel Hempstead, Herts: Harvester Press, 1978) e The Possibility of Naturalism (Hemel Hempstead, Herts: Harvester Press, 1989). Para uma aplicação brilhante, mas um tanto quanto complicada do realismo crítico, cf. M. Archer, Realist Social Theory: The Morphogenetic Approach (Cambridge: Cambridge University Press, 1995).

62 O próprio Weber falava de "falso realismo conceitual" (falscher Begriffsrealismus) - ver Weber, Wirtschaft und Gesellschaft, p. 7 - mas desde que o rótulo não se manteve, os sociólogos, como Parsons, por exemplo, recorreram à fórmula de sucesso de Whitehead da "falácia da concretude equivocada" para denunciar a hipóstase dos conceitos.

63 Cf. J. Torrance, ‘Max Weber: Methods and the Man’, in Hamilton (ed.) Max Weber. Critical Assessments 1, Vol. 1, p. 221.

64 C. Geertz, The Interpretation of Cultures (New York: Basic Books, 1973), p. 5. Essa famosa metáfora já havia aparecido na introdução de von Humboldt à obra de Kawi: "Para incorporar-se a si mesmo e trabalhar no mundo dos objetos, o homem se cerca de um mundo de signos. Pelo mesmo ato, graças ao qual o homem lança a linguagem de si mesmo, ele se transforma em linguagem ”; citado por E. Cassirer, Wesen und Wirkung des Symbolbegriffs (Darmstadt: Wissenschaftliche Buchgesellschaft, 1956), p. 176

65 Weber, Gesammelte Aufsätze zur Wissenschaftslehre, pp. 507–8.


66 Cf. T. Parsons, The Structure of Social Action (Glencoe: Free Press, 1937/1949), Cap. 2.


67 Cf. A. Schütz, Der sinnhafte Aufbau der sozialen Welt. Eine Einleitung in die verstehende Soziologie (Frankfurt am Main: Suhrkamp, 1974). Este ponto também foi feito por Günther Dux, que propõe substituir a abordagem construtivista neokantiana de Weber, um processo lógico de reconstrução racional. Cf. G. Dux, «Subjekt und Gegenstand im Erkenntnisprozeß historischen Verstehens. Von der Begründungszur prozeßlogischen Wissenschaftslehre », in G. Wagner e H. Zippian (eds), Max Webers Wissenschaftslehre (Frankfurt am Main: Suhrkamp, 1994), pp. 662-77.




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