12 Meses de Empreendedorismo



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Mudar o futuro

Ao longo dos últimos doze meses procurámos estabelecer aqui as razões económicas e sociais que justificam a relevância que o empreendedorismo vem assumindo e a necessidade de o encarar como extensivo a toda a sociedade, incorporado desde bem cedo na educação e constantemente reforçado. Neste último artigo vamos abordar alguns dos mitos mais comuns que alimentam o imaginário deste fenómeno, celebrado, mas ainda insuficientemente estudado e cujas virtudes, vagamente definidas, aparecem associadas a factores como "sorte", "risco desmesurado", "ajuda governamental" ou "necessidade de muito dinheiro".

Mito # 1: Para se ser empreendedor é preciso muito dinheiro - Na realidade, à excepção de sectores muito específicos onde são necessários grandes investimentos à partida, a maior parte das empresas nasce pequena, com fundos limitados e desenvolve-se a ritmos diferentes ao longo do tempo. Requer, isso sim, uma grande energia e paixão da parte dos seus fundadores, que recorrem a poupanças pessoais, a empréstimos de familiares e amigos, ao crédito pessoal, a remunerações diferidas e a muitos outros recursos imaginativos que lhes permitem estabelecer-se e crescer. Só mais tarde no seu ciclo de vida maiores investimentos se tornarão necessários.

Mito # 2: Ser empreendedor é iniciar e gerir uma pequena empresa - Na realidade muitas pequenas empresas que conhecemos têm pouco de empreendedor. Uma empresa empreendedora está necessariamente orientada para o crescimento, mas o que faz uma empresa crescer? No essencial, são os ganhos de produtividade latentes nos seus produtos, serviços ou formas de distribuição. E como se obtêm esses ganhos de produtividade? Qualquer empreendedor que consegue fornecer um produto de qualidade superior aos concorrentes com recursos comparáveis, obtém um ganho de produtividade; se conseguir reduzir esses recursos sem comprometer a qualidade, obterá um ganho de produtividade ainda maior. Como bem sabem os empreendedores, a produtividade é essencialmente uma questão de organização e de gestão: não do factor trabalho.

Mito # 3: Para se ser empreendedor é necessário correr grandes riscos - Ao começar uma empresa, o empreendedor enfrenta um elevado grau de incerteza irredutível inerente à relação de desconhecimento mútuo que detém com o mercado. No entanto, em nenhuma outra altura o risco será mais diminuto, porque é no começo que o nível de investimento e os custos de oportunidade são menores. À medida que a empresa se capitaliza e cresce, a incerteza irredutível diminui, mas o empreendedor corre riscos mais elevados quer a nível empresarial, quer pessoal. São boas notícias para os jovens que querem iniciar o seu próprio negócio numa altura em que ainda estão em casa dos pais, sem custos de fixação a uma casa, a um lugar, e têm mobilidade suficiente para irem atrás das oportunidades que, só por acaso existirão na nossa rua, bairro ou cidade.

Mito # 4: Muitos empreendedores de sucesso começam as suas empresas com uma invenção, geralmente de base tecnológica - Na realidade estes casos são relativamente raros. Uma invenção revolucionária, um produto único ou um processo radicalmente novo não são elementos indispensáveis ao sucesso empresarial. Investigação efectuada aponta "a execução excepcional de uma ideia vulgar" como o elemento responsável pelo êxito de muitas empresas, elemento suficiente para criar a diferenciação que as distingue no mercado. A questão está em saberem proteger essa vantagem, movendo-se rapidamente na procura de melhorias constantes e mantendo-se à frente da concorrência.

Mito # 5: Os empreendedores de sucesso começam com um plano de negócios bem delineado e fundamentado - Para quem começa, um plano bem fundamentado em pesquisas de mercado e elaboradas projecções financeiras é frequentemente desnecessário e também financeiramente impossível. Para muitos empreendedores de sucesso o produto ou serviço com que começam não é aquele que lhes trouxe o êxito. De facto, o processo de iniciar uma empresa assemelha-se muito mais ao subir a corrente de um rio saltando de pedra em pedra do que ao construir a ponte Vasco da Gama a partir de um traçado claro. No início, a capacidade de adaptação e outras características pessoais do empreendedor tais como a abertura de espírito, a tolerância à rejeição e a aptidão na venda face a face são mais importantes do que processos de tomada de decisão racionalizados que se tornarão necessários mais tarde. Por isso, a nossa insistência em concentrarmos o ensino do empreendedorismo em elementos a jusante da sua cadeia de valor, isto é no financiamento baseado no plano de negócios, corre o risco de ignorar o desenvolvimento das competências que de facto levam as pessoas a criar e desenvolver uma empresa.

Mito # 6: Os nossos mitos - Os mitos acima podem ser generalizados, mas os que se seguem dizem respeito a nós portugueses e ouvimo-los com frequência: (a) não temos infra-estruturas - na realidade, temos infra-estruturas não aproveitadas e mais do que suficientes para uma actividade empreendedora bem superior à que existe; (b) está tudo feito, não existem oportunidades - na realidade, a estruturação da economia actual não proporciona emprego, antes proporciona oportunidades; (c) o governo não nos ajuda - na realidade o empreendedorismo diz respeito a indivíduos ou grupos que criam valor reunindo combinações únicas de recursos para capitalizar oportunidades existentes na envolvente.

Tem sido esta a nossa forma de pensar, mas se não podemos mudar o passado, podemos aprender com ele e mudar o futuro.




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