12 Meses de Empreendedorismo


Nas asas dos anjos... e que o Governo nos ajude



Baixar 124,58 Kb.
Página13/15
Encontro28.11.2019
Tamanho124,58 Kb.
1   ...   7   8   9   10   11   12   13   14   15
Nas asas dos anjos... e que o Governo nos ajude

Para que uma economia prospere é necessária uma cultura de empreendedorismo saudável - orientada para a criação de valor - e a existência de diferentes tipos de capital para financiar sucessivos ciclos de inovação e desenvolvimento. Na fase muito inicial do projecto, a maior parte dos empreendedores recorre a poupanças pessoais e/ou à boa vontade do que se convencionou chamar os 3 Fs (family, friends and fools). À medida que o negócio toma forma, além dos tradicionais empréstimos bancários, devem existir na economia outras fontes que melhor sirvam as necessidades do empreendedor.

Conhecemos já os investidores especializados em capital de risco (CR) que acorrem às necessidades de desenvolvimento de empresas nas fases de adolescência, com provas já dadas, investindo valores geralmente elevados. Mas, entre esta etapa e as necessidades de uma empresa nascente, existe ainda um outro grupo de investidores informais e com maior impacto: os anjos do negócio, tradução débil da expressão business angels. O termo começou a popularizar-se no princípio dos anos 1980 para designar capitalistas particulares que investem capitais próprios numa boa equipa, com uma boa ideia, nas fases iniciais de desenvolvimento empresarial. O seu número é difícil de calcular porque não têm de estar formalmente registados, mas exercem uma influência notável nas economias onde actuam: estudos realizados sugerem que os "anjos" investem 10 a 20 vezes mais em empresas do que as CR.

Os "anjos" investem quantias muito variáveis que podem ir dos cinco aos duzentos mil euros, bem longe do alcance do radar das CR que preferem valores mais elevados. O seu interesse reside principalmente nas mais valias que esperam receber aquando da venda da sua participação, em geral cinco ou sete anos após o investimento. Por isso não se afastam da gestão e muitos "anjos" têm uma forte ligação emocional às empresas onde decidem participar: gostam de formar e orientar outros e de fazer parte da exaltação associada a uma empresa que cresce. Investem sobretudo em pessoas e querem assegurar-se de que o empreendedor sofre de um "complexo de missionário" ou seja, tem uma paixão genuína pelo negócio.

Apesar de muito adequada ao desenvolvimento empresarial esta forma de financiamento é pouco conhecida em Portugal. Noutros países a emergência dos "anjos" tem ajudado inúmeras empresas nascentes a realizar verdadeiros milagres. Considere-se, por exemplo, o caso de um médico dentista que ao longo de nove meses percorreu os quatro cantos do Estado onde vive à procura de visionários como ele, dispostos a investir na sua ideia de criação de um cartão de crédito nacional para cuidados de saúde: o PulseCard. Apresentou sucessivamente a sua proposta a centenas de potenciais investidores, frequentou inúmeras reuniões e seminários, criou e cultivou sem cessar uma extensa rede de relações. Em princípios de 1989, depois de muitos almoços e cafés em conjunto, o nosso dentista já tinha conseguido reunir 20 indivíduos dispostos a investir um total de $700.000, o necessário para transformar o seu projecto numa empresa real. Actualmente, mais de 10.000 médicos em 50 estados dos Estados Unidos são clientes do PulseCard que movimenta por ano um total de 35 milhões de dólares. O dentista, que deixou de o ser para demonstrar aos investidores a sua total dedicação ao projecto, afirma que os "anjos" confiaram nele porque acreditaram na sua capacidade em cumprir o que prometia.

Mas quem são os "anjos" e como se formam? São empreendedores típicos, interessados em perpetuar o sistema que lhes trouxe sucesso. Quer isto dizer que os "anjos" aparecem naturalmente em economias onde o grau de empreendedorismo é elevado. Como fazer então numa sociedade como a nossa, onde a taxa de actividade empreendedora é baixa e está tão profundamente enraizada na cultura? Por uma boa causa, talvez aqui o Governo possa ajudar. O apelo não é apenas ao Governo central, mas também a instituições e governos locais próximos dos empreendedores, plataformas ideais para ligarem as necessidades de uns aos desejos de outros. Por exemplo, quantos emigrantes, verdadeiros empreendedores, interessados no desenvolvimento da sua terra temos no nosso país? Porque não essas instâncias locais constituírem-se em centros de promoção activa do encontro entre projectos e investidores? Se a nossa cultura anti-empreendedora nos impede de nos juntarmos de modo próprio à mesa do café para discutir os nossos projectos, que seja então o Governo a proporcionar-nos o café e os bolos. Não ficará caro e as recompensas virão.




  1. Compartilhe com seus amigos:
1   ...   7   8   9   10   11   12   13   14   15


©psicod.org 2019
enviar mensagem

    Página principal