12 Meses de Empreendedorismo


Empreendedorismo e recursos: Uma questão de dinheiro?



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Empreendedorismo e recursos: Uma questão de dinheiro?

Como vimos, a ênfase excessiva do ensino do empreendedorismo através da ferramenta única do plano de negócios pode ter o efeito perverso de aumentar a resistência ao risco em sociedades que lhe são avessas. No papel, através da simples e leve manipulação dos números, todos os projectos são rentáveis. O VAL, a TIR, o VALA ou o período de recuperação do investimento - temos visto isso todos os anos em dezenas de planos de negócio - não deixam margem para dúvidas: a decisão é investir. Mas depois não se investe e, na maior parte dos casos, ainda bem. Outro problema deste tipo de ensino tem a ver com a sua contribuição para o reforço da ideia generalizada de que o principal e talvez único recurso de que um empreendedor nascente necessita é o dinheiro. Havendo dinheiro, tudo o resto se consegue.

O dinheiro é sem dúvida importante e os empreendedores sobre ou subestimam com frequência as suas necessidades financeiras, mas se analisarmos com cuidado os factores de sucesso ou insucesso da maior parte das iniciativas empresariais - e existe ampla pesquisa a confirmá-lo - ficaremos surpreendidos ao constatar que, apenas raramente, o dinheiro aparece como factor explicativo do bom ou mau desempenho de um conceito de negócio. Mais: um empreendedor suficientemente convicto, persistente e apaixonado pelo seu projecto, tudo fará para conseguir financiamento.

Falamos, pois de paixão: um recurso crítico através do qual o empreendedor obtém a energia criativa indispensável ao processo de angariação de recursos levando-o a fazer tudo o necessário para garantir o sucesso de um projecto dotado da magia que irá encantar investidores, outros fornecedores de recursos e também utilizadores ou clientes. Se o empreendedor não acreditar no futuro da sua empresa, quem acreditará?

De facto, os recursos críticos de que o empreendedor necessita são tipicamente não financeiros. Identificá-los requer perspicácia, boa capacidade de julgamento e paciência. Paciência, por exemplo, para esperar até ter capital suficiente para financiar o negócio. Para que não restem dúvidas, entendemos por recursos os activos tangíveis e intangíveis envolvidos na actividade de uma empresa de forma relativamente permanente. A sua combinação é heterogénea e constitui a base sobre a qual irão assentar as estratégias produto/mercado. Capacidades técnicas criativas, a existência e a disponibilidade de canais de distribuição, licenças ou patentes, uma rede estabelecida de clientes, uma boa gestão, trabalhadores empenhados, ou uma localização privilegiada são apenas alguns exemplos de factores que podem revelar-se determinantes no sucesso da implementação de um conceito de negócio. Porém, o excesso de autoconfiança do empreendedor leva-o frequentemente a pensar que estes são recursos secundários, fáceis de angariar ou de executar por ele próprio e, portanto, não merecedores da sua atenção numa primeira fase. Esta atitude é a melhor garantia de insucesso. O empreendedorismo não é uma actividade produzida no isolamento: diz respeito a indivíduos que são capazes de construir, inspirar e fortalecer equipas; a empreendedores avisados que dotam essas equipas de talentos complementares aos seus, a quem conseguem transmitir a mesma paixão pelo negócio.

Para concretizar o seu projecto o empreendedor leva para a arena competitiva três tipos de capital: humano, social e financeiro. Os dois primeiros permitem obter o terceiro. O capital humano diz respeito aos recursos próprios do empreendedor e inclui, entre outros o conhecimento. Como é que o fundador de uma empresa poderá conhecer os recursos a perseguir? Muito desse conhecimento está disponível e pode ser obtido através das organizações já estabelecidas, de peritos, de publicações do sector, da internet, da própria experiência anterior ou da de outros membros da equipa, o que exige longas horas, muitos telefonemas e uma curiosidade imensa. Uma das características que, no campo do empreendedorismo, mais nos distingue de outras sociedades e surpreende professores e formadores estrangeiros, é a dificuldade (timidez?) que no nosso país temos em fazer perguntas, telefonemas, quantas vezes forem necessárias, na procura de informação. A esta está associada uma outra que, sem a justificar, a explica: a relutância em dar respostas. Mesmo em organismos oficiais responde-se mais facilmente a um jornal do que a alguém que procura informação para fundar uma empresa. A nível da educação, trabalhar estes aspectos, despertar a curiosidade e a vontade de a satisfazer, seria fazer já bastante pelo empreendedorismo.

O empreendedor deverá também desenvolver como um recurso a sua capacidade de intuição. No período curto que geralmente existe entre concepção, execução e feedback quando se está a criar uma empresa, há que relembrar, desenvolver e aplicar conhecimento sob pressão intensa. Existem então inúmeras ocasiões para variações "cegas" e soluções criativas que poderão eventualmente abrir janelas de oportunidade para inovações, mas também conduzir ao insucesso. Devido ao ciclo iterativo de experimentação e erro, o processo de empreendedorismo é uma forma não institucionalizada de aquisição de capital humano e, neste sentido, mesmo que o empreendedor não seja bem sucedido, os seus esforços são recompensados pela aquisição de conhecimento único, um recurso que pode ser utilizado por si próprio ou por outros em tentativas futuras.





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