12 Meses de Empreendedorismo


O empreendedor e a família



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O empreendedor e a família

"A minha mãe é a força da família. Lembro-me de ela me dizer que eu poderia fazer tudo o que sonhasse, desde que me concentrasse nisso. Para um empreendedor, o apoio, este tipo de apoio - compreensão e encorajamento - é tão importante como o plano de negócios e o financiamento. Pode-se ter o financiamento que se quiser, o melhor plano, um conceito de negócio infalível... se o apoio faltar, tudo pode falhar. Sabe porquê? Porque até mesmo o melhor projecto ou a melhor ideia, vão encontrar obstáculos no caminho".

"A mim, foi o meu marido que me convenceu a fazer aquilo de que realmente gosto. Fui sempre a melhor vendedora em todos os ramos onde trabalhei, desde apartamentos até mobiliário e um dia o meu marido disse-me: "Tu és uma óptima vendedora, toda a tua vida tens dado dinheiro a ganhar aos outros, porque é que não fazes algo para ti própria?". Foi assim que eu comecei. Sempre desenhei a minha própria roupa, mas nunca tinha pensado em abrir uma loja minha, até que o meu marido me deu coragem para fazer o que eu quero, da maneira que quero. Foi ele o meu apoio".

"Tem sempre de haver alguém para nos dar a mão quando caímos. Não é fácil começar uma empresa, nem mantê-la. Você vai precisar de alguém - seja ele marido ou mulher, pai ou mãe, mentor ou professor - que o ajude a ultrapassar os obstáculos. No meu caso foi a minha mulher. Qualquer outro casamento poderia ter-se arruinado, mas eu tenho a sorte de ter uma mulher que me deixa ficar a pé, a trabalhar toda a noite. Ainda ontem estive a trabalhar até às duas da manhã".

"Você pergunta-me se tive o apoio da família quando comecei a empresa. Uma pergunta excelente. Sim, sem a minha mulher não o teria conseguido. Bem vê, na minha juventude, as pressões que senti não foram para que me tornasse empreendedor. Pelo contrário: as pressões foram para que tirasse um curso e arranjasse um emprego. Quando disse à minha mãe que ia deixar as Finanças ela esteve prestes a deserdar-me. "Tu não estás é bom da cabeça! Vais desistir deste óptimo emprego? De um bom ordenado? O que é que se passa contigo? Onde é que eu errei na tua educação?" Sabe, a minha mãe verbaliza muito as coisas, mas eu tinha de seguir o meu caminho. Com 36 anos tinha chegado a um tecto de vidro e não me via a mudar de patrão e a começar tudo outra vez. De resto não haviam patrões nem caçadores de talentos a baterem à minha porta. Nesse sentido a minha mãe foi um obstáculo e a minha mulher um apoio. Quando contei o projecto à minha mulher ela disse "OK, se é isso que queres fazer". Seria inteira confiança em mim, ou não teria ela nada melhor para dizer? Ainda hoje não sei o que pensar: o certo é que a minha mãe teria continuado a dizer não e, tivesse sido outra a atitude da minha mulher, eu teria ficado por ali".

Estas reflexões são excertos de entrevistas com empreendedores num centro de desenvolvimento de pequenas empresas que frequentei em Milwaukee no segundo semestre de 2001. Milwaukee é uma cidade média do "midwest" americano, nas margens do lago Michigan, a cidade berço de uma história de empreendedorismo gloriosa: a da Harley-Davidson, uma história que se conta em três tempos e ninguém poderia ter inventado. Em 1903, dois jovens, William Harley e Arthur Davidson, fazem experiências de combustão interna numa pequena cabana de madeira em cuja porta garatujaram "Harley-Davidson Motor Company". A cabana não explodiu por milagre e a primeira motorizada que produziram haveria de fazer mais de 160.000 km nas mãos de cinco proprietários diferentes. Isso, como todos sabemos, foi apenas o começo. Ajudados pela família - os irmãos de Davidson cedo se juntaram ao projecto - a história desta empresa mítica terá inspirado os nossos entrevistados, mas as suas reflexões são transferíveis no espaço: poderiam ter sido produzidas em qualquer outro lugar.

O passado familiar influencia as decisões do empreendedor potencial: a investigação aponta para a emergência de empreendedores em famílias onde os pais incutem nos filhos, desde bem cedo, um desejo de independência e de controlo sobre o seu futuro. No arranque e implementação da empresa não é apenas a presença de apoio estável que favorece o sucesso, mas também e sobretudo, a procura e aceitação desse apoio por parte do empreendedor o que sugere a necessidade de se fomentarem sistemas de apoio activos e passivos, tema de especial interesse para o desenho de programas de formação e desenvolvimento da capacidade empreendedora.

Estes programas deverão incluir competências de comunicação que ajudem o empreendedor a relacionar-se com a sua envolvente, e também competências que lhe permitam reconhecer os sistemas de apoio de que necessita e quando os necessita, avaliando a abordagem mais eficaz em cada situação. Um longo caminho que não se compadece com formação ad hoc de curta duração: tem de ser inserida, desde bem cedo, em todo o sistema de educação, sem o que, em vez de uma atitude empreendedora generalizada, não teremos mais do que casos isolados de emprendedorismo. É pois da educação necessária ao desenvolvimento do empreendedorismo que trataremos no próximo artigo: ela é um input indispensável ao nosso sucesso colectivo.




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